O Microsoft Build 2026 veio recheado de anúncios, e a maior parte deles gira em torno de uma palavra: agentes. A plataforma está sendo recortada para suportar workloads agentic AI que raciocinam, tomam decisões em sequência e rodam continuamente em escala.
Visão geral do Build 2026
O Microsoft Build é a conferência anual da Microsoft voltada para desenvolvedores, onde a empresa apresenta os principais lançamentos e atualizações da sua plataforma, de Azure e ferramentas de desenvolvimento a IA, dados e segurança.
Fonte oficialAzure Cobalt 200
O early access preview do Azure Cobalt 200 traz a segunda geração de VMs Arm-based da Microsoft, desenhada do zero para workloads cloud-native, escaláveis e baseadas em Linux, com foco explícito em agentic AI.
- até 50% mais performance de CPU por geração sobre o Cobalt 100
- até 128 vCPUs por VM, com 3 MB de cache L2 por core e 192 MB de cache L3 no nível de sistema
- criptografia de memória habilitada por padrão, com impacto de performance desprezível
- ganhos reais expressivos: até 135% em banco de dados, 80% em caching e 45% em criptografia de comunicação
Segurança para código, agentes e modelos
Com agentes assumindo decisões antes feitas por código determinístico, a segurança muda de figura. A Microsoft trouxe anúncios focados em proteger código, agentes e modelos ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento.
- auditabilidade das atividades dos agentes e RBAC para controlar acesso
- circuit breakers e guardrails independentes do próprio agente
- detecção de comportamento anômalo com possibilidade de intervenção humana a qualquer momento
Microsoft Marketplace para apps e agentes
O Microsoft Marketplace ganhou destaque como canal para construir, escalar e monetizar aplicações e agentes.
- caminho unificado para publicar e distribuir apps e agentes
- foco em ajudar desenvolvedores e ISVs a alcançar clientes e gerar receita
Azure HorizonDB
O Azure HorizonDB (preview) é um serviço de banco totalmente gerenciado, cloud-native e construído sobre PostgreSQL, pensado para workloads tier-1 e aplicações de IA.
- arquitetura de compute e storage desacoplados com design de database-as-a-log para performance previsível e alta disponibilidade
- compatibilidade total com PostgreSQL, drivers, ORMs e SQL existentes migram com pouca ou nenhuma mudança de código
- dois endpoints: um de leitura/escrita (primário) e um reader que faz load-balance entre réplicas HA (hoje até 4, com plano de chegar a 8)
- pronto para IA: vector search, embeddings, hybrid search, reranking semântico e pipelines de IA, servindo como camada de memória e recuperação de conhecimento para agentes
Azure Linux 4.0
O Azure Linux 4.0 (public preview) é a distribuição Linux open-source mantida pela própria Microsoft, construída para Azure, com footprint pequeno e postura de segurança endurecida.
- base no ecossistema Fedora, com a familiaridade dos pacotes RPM
- kernel 6.18 LTS otimizado para Azure, com drivers Hyper-V e tuning específico
- segurança forte: kernel lockdown, dm-verity para boot verificado, SELinux e FIPS 140-3
- pipeline de CVE com scan duas vezes por dia contra a NVD; ainda não indicado para produção
Azure Container Linux (ACL)
O Azure Container Linux (ACL) é um sistema operacional imutável e container-optimized para node pools do AKS, derivado do projeto Flatcar Container Linux e já em GA a partir do AKS 1.34.
- diretório
/usrread-only protegido por dm-verity, validando hash assinado em boot e runtime - superfície de ataque mínima e atualizações automáticas semanais baseadas em imagem
- SELinux em enforcing por padrão e Trusted Launch com Secure Boot e vTPM obrigatórios
- criação direta com
az aks create --os-sku AzureContainerLinux; atenção às limitações (sem Pod Sandboxing, Artifact Streaming e Confidential VMs)
Novidades do AKS
O AKS recebeu um conjunto de anúncios no Build 2026 que ampliam o controle em toda a stack — da operação do cluster até treino e inferência de IA rodando em cima dele.
- Managed system node pools no AKS Automatic (GA): o Azure passa a cuidar do ciclo de vida dos nós de sistema (capacidade, patching, escala), evitando que os componentes do cluster disputem recursos com suas cargas — importante sobretudo em nós com GPU
- AKS on bare metal (preview): roda o AKS em máquinas dedicadas sem hypervisor, com acesso direto a NVLink, RDMA e rede de alta performance — ideal para treino grande, inferência sensível a latência e pipelines de alto throughput
- Fleet Manager para clusters Arc-enabled (GA): aplica updates, políticas e posicionamento de cargas em clusters dentro e fora do Azure a partir de um único control plane, com rollout progressivo e RBAC consistente
- Anyscale on Azure (preview): traz o Ray gerenciado ao AKS para coordenar execução distribuída (GPUs e CPUs juntas, alocação fracionada de GPU), rodando dentro da sua subscription com Entra ID
- AI Runway + KAITO para servir modelos de forma Kubernetes-native: você escolhe o modelo, valida o ajuste à memória de GPU disponível e faz o deploy; o KAITO provisiona nós e sobe runtimes otimizados como vLLM
Gestão de file shares mais simples e escalável (GA)
O Azure Files ganhou um novo modelo de gerenciamento para file shares premium SSD (NFS), agora em disponibilidade geral, em que cada share é criado, protegido, escalado e cobrado de forma independente, sem ficar amarrado à storage account.
- Cada share é um recurso próprio, com performance, segurança e billing isolados (modelo provisioned v2), alinhando os limites aos limites reais da aplicação ou do tenant
- Escala maior e provisionamento mais rápido: até 10.000 file shares por subscription por região e time-to-first-share 2,5x mais rápido que os shares clássicos
- Isolamento por share: restrições de rede, RBAC, política, snapshots e criptografia em trânsito definidos individualmente, ideal para cenários multi-tenant de SaaS
- Infraestrutura como código e visibilidade de custo: define naming, capacidade, IOPS, rede e tags em Bicep/ARM, com meters de billing por share para chargeback preciso
Outros destaques
Project Solara
- Plataforma chip-to-cloud (codinome) criada do zero para experiências agent-first e para uma nova geração de dispositivos moldados ao redor de agentes, não de apps
- Aposta em just-in-time UI: a interface do agente se adapta a diferentes telas e modalidades (voz, visão, toque) sem o desenvolvedor redesenhar para cada formato
- Nasce enterprise-ready, com identidade (Entra ID), gestão (Intune), segurança e privacidade como fundação — além de ser extensível para você trazer seus próprios agentes
- Primeiros conceitos de hardware incluem um dispositivo de crachá (portátil) e um dispositivo de mesa, com silício de MediaTek e Qualcomm
Microsoft Scout
- Agente pessoal always-on, pensado para acompanhar o usuário de forma contínua
- Conecta-se ao Microsoft 365 para agir sobre contexto real de trabalho, não só responder perguntas isoladas
Modernização agentic
- GitHub Copilot modernization agent chega à disponibilidade geral: operado pela CLI, atua como orquestrador que avalia prontidão de várias aplicações ao mesmo tempo, planeja jornadas específicas e automatiza upgrades de Java e .NET
- Integra-se ao fluxo nativo do GitHub criando issues, pull requests e relatórios de avaliação por aplicação, com coordenação assíncrona via coding agent e trilha de auditoria no Agent HQ
- Faz par com o Azure Copilot migration agent (preview), que cobre o planejamento em escala de estate — descoberta, mapeamento de dependências, análise de ROI e wave planning — reduzindo meses de análise a minutos
- Custom skills (GA): o time codifica padrões, bibliotecas e boas práticas em arquivos
skill.md(formato aberto) e reaproveita em todo o portfólio - Resultado relatado pela Microsoft: modernização até 4x mais rápida em centenas de milhares de apps legados .NET e Java
Microsoft Web IQ
- Inteligência de busca para a web, trazendo dados e contexto atualizados para aplicações e agentes
- Pensado para alimentar experiências de IA com informação fresca da web em vez de conhecimento estático
Azure Functions no Build 2026
No serverless, a mensagem reforça uma direção clara: o Flex Consumption é onde as novidades chegam primeiro.
- cold starts menores com instâncias always-ready e integração com rede virtual
- per-function scaling e scale-out de até 1.000 instâncias (contra 200 do Consumption)
- mounts de Azure Files para binários grandes e modelos de ML sem empacotar no deploy
Demos do Build 2026
Para ver na prática, seguem demos selecionadas do canal Microsoft Developer, todas gravadas no Build 2026. Cada uma é curta e vai direto ao ponto:
OpenClaw + Windows
- Mostra o OpenClaw rodando em conjunto com o Windows, no contexto da plataforma de desenvolvimento
- Boa amostra de como ferramentas de agente se integram ao ambiente nativo do sistema
- Teve a participação especial do fundador da Open Cloud, comentando um pouco de como ele está animado com o que está por vir
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Developer Experience on Windows
- Um tour pela experiência de desenvolvimento no Windows, alinhada aos anúncios de ferramentas para devs (Coreutils, WSL, configurações otimizadas)
- Útil para quem quer entender o caminho que a Microsoft está traçando para o fluxo de trabalho no Windows
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GitHub App + Rayfin
- Integração de um GitHub App com o Rayfin, ilustrando fluxos de automação e produtividade
- Mostra na prática como conectar repositórios a automações de ponta a ponta
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Microsoft Discovery
- Demonstração do Microsoft Discovery aplicado a cenários de pesquisa e descoberta acelerada por IA
- Dá uma ideia de como a IA encurta o tempo entre uma pergunta e uma resposta acionável
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MDASH
- MDASH é o codinome do sistema de varredura de segurança agêntica multimodelo da Microsoft Security, criado pela equipe de Segurança de Código Autônomo
- Diferente de abordagens de modelo único, orquestra mais de 100 agentes de IA especializados (modelos de fronteira e destilados) para descobrir, debater e comprovar bugs exploráveis de ponta a ponta
- Na prática, ajudou a encontrar 16 novas vulnerabilidades na pilha de redes e autenticação do Windows, incluindo 4 falhas críticas de execução remota de código
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